A saga do roubo da camisa

Por Flavio Cavalcanti

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Em 2002 morava em Brasília e, por incrível que pareça, trabalhei durante todos os jogos do Brasil na copa em regime de plantão. Todavia as etapas foram ficando para traz, claro com um time repleto de tricolores Edmílson, Cafu, Juninho Paulista, Luizão (no futuro), Denílson, Kaká, Belletti, e o monstro Ceni. Ganhamos! E como no tetra, os pentas desceram em Brasília, então motivado pela paixão tricolor nossa vítima fugiu do trabalho e seguiu com 1,7 milhão de pessoas os trios elétricos com a Seleção.

Agora havia uma missão: conseguir todas as assinaturas dos heróis tricolores em uma camisa do Magnífico. Então como diria o poeta “seja o que vier e venha o que vier”. A primeira assinatura foi do Cafu, seguido por Kaká e Belletti, Rogério simpaticamente assinou, Edmilson deixou lá sua marca, Juninho Paulista mesmo contaminado pela doença rubro-negra (Blerg) foi simpático e rubricou o manto magnífico… Então faltava apenas uma assinatura.

Denílson, pode esperar que sua hora vai chegar… Ele me driblava como a um turco qualquer… ia para um lado do trio elétrico, eu perseguia… ia pra frente lá estava eu, afinal marcação é cerrada. Ele me viu e eu pedi o autógrafo dele na camisa… Arremessei a túnica majestosa tricolor e ele pegou… por alguns segundos observou todas as assinaturas. Pensei: “Agora completo minha coleção com estilo”. Ledo engano! Denílson em uma arrancada surpreendente veste minha camisa…

Assim como um Zagueiro Belga naquele dia 17-06-2002 no Kobe Wind Stadium me senti perdido com o drible do até então meu herói… mas a maior surpresa viria depois, quando ao tirar minha camisa Denílson, corrompido pelo semente do mal que atende pelo nome de flamengo, conclui seu plano maléfico… Usurpando minha camisa. Um furto.

A atual legislação brasileira desconhece o furto de uso que ocorre, segundo Hungria, “quando alguém arbitrariamente retira coisa alheia infungível (v.g. um cavalo, um automóvel, um terno de roupa – ou uma camisa, um livro), para dela servir-se momentaneamente ou passageiramente, repondo-a, a seguir, íntegra, na esfera de atividade patrimonial do dono”. O Código Penal de 1890 não incluiu no seu texto o furto de uso, já que o § 2º, do seu artigo 331 consignou que era crime de furto “apropriar-se de coisa alheia que lhe houver sido confiada ou consignada por qualquer título, com obrigação de a restituir, ou dela fazer uso determinado.”

Caso fosse condenado o Meliante Denílson de Oliveira Araujo, mais conhecido como “Denílson Show’, sofreria as penas do Art. 155, §4°, CP – Furto Qualificado a pena é
de 2 a 8 anos e multa.. Todavia as quatro hipóteses de qualificadoras são: abuso de confiança, furto qualificado pela fraude, furto mediante escalada e pasmem… destreza. Tal qualificação é assim definida pelo prof. Rogério Cury: “É uma habilidade especial, capaz de fazer com que a vítima não perceba a subtração”. Ex: “batedor de carteira”. O indivíduo qualificou seu roubo ao premeditar tal ato percorrendo o inter criminis e caracterizando em furto agravado.

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Então lanço aqui uma campanha… “Denilson ladrão devolve minha camisa”. Diga não a impunidade e a violência. Deixemos o roubo para os volantes e juízes.

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Uma resposta to “A saga do roubo da camisa”

  1. julianonogueira Says:

    Estou com vc nessa Flavio! Cana nele! hauahuahauahua

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