Coluna Play/Rec – Entrevista com Ringo Starr

011408464-ex00.jpg Chega hoje às lojas dos EUA, o CD “Photograph: The very best of Ringo Starr”, seleção de músicas de sua carreira solo e coletânea de canções de diversas gravadoras de 1970-2005, eu já tenho essa coletânea há quase três anos,  muito estranho isso não?

Ringão bateu um papo com a imprensa e eu catei para a coluna Play/Rec.
Como foi a escolha das músicas para o novo disco?
Starr:
Na verdade, tínhamos um conjunto de faixas que poderíamos usar, desde os primórdios da Capitol. O bacana foi que a Capitol/EMI ampliou esse leque, o que raramente acontece. Em geral, o selo só aproveita canções gravadas por ele mesmo. Elas foram em frente e escolheram faixas do CD “Choose love” de 2005 e de diferentes selos. É uma ótima amostra de tudo que fiz nos últimos 40 anos.

Alguma favorita? A “No-No Song”, de 1974, foi tão bem humorada sobre as noitadas em festas.
Starr:
Tenho ótimas lembranças da época em que gravamos isso, porque a última coisa que qualquer um de nós estava fazendo era dizer “não” naquele tempo. As coisas mudaram, é claro. “Photograph” é linda. É uma das melhores músicas que já compus. Eu a compus com George Harrison, o que ajudou. Naquela época, e até hoje, só tocava três acordes. Eu compunha as músicas e as dava para o George e depois ele inseria mais 10 acordes e todos pensavam que eu é que era o gênio.

Quais são os três acordes?
Starr:
Só sei tocar guitarra em Mi, e só sei tocar piano em Dó. Tudo que já compus, se estivesse tocando guitarra era em Mi e se fosse no piano, era em Dó. “Photograph” foi composta, na verdade, porque o George me fez tocar em Dó. É tão difícil, precisa passar aquele dedinho para cima.

Então, Ringo, você está completando 67 anos.
Starr: Dá pra falar mais alto? (risos)

E acabamos de comemorar o 40º aniversário de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” dos Beatles.
Starr:
Sensacional!

Qual é a sensação de passar por toda a trajetória desde aquele disco até agora?
Starr: Quando você está fazendo as coisas, não pensa em “agora”. Essa é questão. Eu imaginava que depois de quarenta anos estaria falando desse disco? Não. Era a última coisa que qualquer um imaginaria, que estivéssemos fazendo discos que durariam para sempre. Estávamos apenas aproveitando a fase de produzir discos.

E quanto a envelhecer como músico? Você citou em entrevistas que viu uma apresentação de Bob Dylan, e às vezes ele é claro, às vezes não.
Starr:
É o jeito dele. Estávamos falando sobre assistir ao Bob, e vê-lo diversas vezes. Você aceita aquilo que ele te oferece. Na última vez que o vi, foi difícil reconhecer as músicas. Mas na vez anterior, ele estava claro como um sino. O Bob é excelente. Acabou de ter um disco no primeiro lugar e é assim que funciona. Eu estou na ativa, ainda fazendo discos, continuo tocando. Talvez amanhã lance um sucesso, quem sabe. Fiquei muito tempo sem lançar uma música que estourasse. Pode ser o próximo CD, vai saber. Quem está na chuva…

O processo criativo mudou?
Starr:
Não mudou absolutamente nada. Componho as músicas, toco bateria. Chamo uns amigos e faço um disco… Queriam que eu fizesse um disco de duetos, como o que o Santana fez. Não tenho nada contra, mas foi uma coisa dele e fez um super sucesso. No fundo não tenho vontade de fazer isso. De qualquer forma, tenho bastante convidados nos meus CDs, como Chrissie Hynde e Willie Nelson.

Tem planos de atuar?
Starr:
Eu tinha uma queda por atuar. Já faz bastante tempo. Mas decidi que já existem atores o suficiente e eles se encarregam. Comecei a me focar mais na música de novo… Não posso me comprometer por tanto tempo agora (com papéis na TV ou no cinema). Dá uma ligada em 2010 pra ver se estou disponível. Eu vivo o dia de hoje, tenho uma vida confortável.

Quando fará uma nova turnê?

Starr: Quando vou entrar em turnê, e quem vai comigo, ainda não sei, mas vai demorar alguns meses. Vou lançar este disco agora e uma versão 5.1 de “Choose love” e de “Ringo rama” de 2003, e terminei meu novo CD, que deverá sair em janeiro.

Existe uma lenda, há anos, de que você costumava colocar um maço de cigarros na caixa da bateria para amortecer o som. Que história é essa?
Starr:
Foi uma ótima sacada. Sempre gostei de um som grave e então eu colocava o maço de cigarros sobre a bateria, para diminuir um nível. Depois comecei a colocar panos de prato por cima de tudo. Depois coloquei panos em toda bateria. Consegui a qualidade mais grave.

Você pode usar os panos pra enxugar o suor, também.
Starr:
É, claro! E depois ainda fumar um cigarro. Não, isso eu parei.

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