George Harrison e Gerhard Berger

Trecho legal do livro: “Na Reta de Chegada” de Gerhard Berger

 

Estavamos na Grande Barreira de Coral, região na costa australiana. Conhecida pela variedade e beleza da vida subaquatica que abriga. Voamos até a ilha Hamilton, a de maior desenvolvimento turistico da região e grande o suficiente para abrigar alguns esconderijos. Uma encosta inteira da montanha no lado mais afastado da ilha é o refugio de George Harrison. O fato do músico e o piloto de corridas serem amigos já há alguns anos não é novidade. George me convidou para ficar com ele e naturalmente não usarei essa visita particular para fazer reportagem, mas posso contar como são as coisas no paraíso. Imagine: uma encosta de colina terminando no mar azul, desabitada graças a proteção ambiental. A vegetação em nossa colina é uma mistura de arbustos silvestres, bosques de Palmeiras tropicais, flores e botões, além de pinheiros, o maior deles,enorme com copa em forma de pirâmide. Como em uma pequena vila dos mares do sul, a casa principal e as construções menores são todas terreas e há uma bacia de rocha natural servindo de piscina. Bambú, palha, luz e água emolduram a casa, que tem assoalhos escuros de madeira de Makai e esculturas da Nova Guiné espalhadas por todos os cantos. Três lados do meu quarto eram cercados por riachinhos com nenúfares rosados que desabrochavam á noite e se fechavam pela manhã, quando o azul mostrava toda a sua intensidade.Eu experimentava a beleza da manhã ás cinco horas, completamente desperto, graças aos pássaros. Não saberia identifica-los, mas não importa, um emite um tom agudo comovente, outro parece rir como uma hiena, entre os dois há assobios de nossos pequenos amigos emplumados e um bando inteiro deles brinca de bombardeios, surgindo como flechas do meio das folhas e jogando castanhas na piscina.

No final da manhã, uma garotavem do vilarejo para arrumar as coisas, não havia mais ninguém além de nós, relaxante. George Harrison é mesmo muito bom nisso. Depois que os beatles se separaram, ele começou a relaxar e agora, depois de 25 anos, atingiu o clímax de sua arte. Essencialmente, diz George, é apenas uma questão de extrair o divinode nossas almas.Tenho de tomar cuidado com a maneira como falo isso agora, pois George encara tão a sério o misticismo, mesmo que de forma totalmente despretensiosa, que é impossivel sentir-se tentado a brincar com o assunto. Por exemplo, estavamos na cozinha, preparando macarrão de Bengala, e George afirmou que quem estava cozinhando não era, na verdade, o George real. É por isso que não tem problemas com a sua identidade como Beatle. Ele diz assim: “Todos dizem que sou um Beatle, mas isso era apenas uma fantasia qu eu usava naquele tempo. As pessoas continuam vendo aquelas fantasias, por isso pensam que este é George. Mas, na verdade, eu sou alguém completamente diferente.” George se preocupa em relaxar a qualquer custo fisicamente,ele tenta se expor o mínimo possível aos vennos, na comida e na bebida em geral, preocupando-se em digerir tudo muito bem. Isso nãi émuito atraente- tem muito a ver com beber água morna. Para relaxar mentalmente, ele medita de três a quatro horas por dia. Ele conseguiu nos explicarna língua que dominamos. Nossa consciência tem 3 marchas: Acordado, dormindo e sonhando. Mas, para conseguir relaxar totalmente, ela precisa de algum tempo em ponto morto, e isso é a meditação. Sou capaz de ficar horas ouvindo George falar, sua voz já seria razão suficiente. Ele fala o mais belo inglês que já ouvi – a palavra de um músico encantador, que deixa as sílabas deslizarem em todas as suas nuances, dando-lhes uma certa melodia. Ás vezes, ele tira a guitarra havaiana ou a elétrica da parede e canta alguns versos, inclusive (para meu deleite) Old Budha´s Gong, com a qual Hogey Carmichael fazia serenata para ajovem Bacall. E a mais bela canção dos Beatles (infelizmente não é minha é do John) – Norwegian Wood – não é de partir o coração?…so I lit a fire isn´t good Norwegian Wood ? Sem microfones nem gravação, apenas para mim, (ao gravar a música em 1965, George tocou citara pela ´rimeira vez, foi quando começou seu amor pela Índia). Com muito cuidado, george tenta pomover a filosofia indiana. Ele gosta de mim e queria fazer algo de bom para minha alma. Ir a um pub com George Harrison pode ser um tanto penoso, os turistas japoneses, em especial, quase desmaiam ao vê-lo, mas, antes de perder a consciência, correm para tirar uma foto junto com ele. Na realidade, ele é bem paciente com eles, pelo menos por algum tempo. George não tem tolerãncia alguma com a música de fundo nos restaurantes ou bares. Ele diz que não aguenta música ruim, que ela representa quase um ataque físico a ele, dói em seus ossos. “Isso arruina meu sistema nervoso” Divertimo-nos ainda mais conversando com o George Harrison sobre carros. Ele contou que tevealgum tipo de problema com seu empresário, por isso
achou que merecia algo como compensação, “um brinquedinho”. Essas palavras são de seu filme favorito. Estavamos sentados junto á piscina e george ficou embasbacado por não termos visto o tal filme. Ele
nos contou que Peter Sellers deu-lhe de presente uma cópia em 60mm e que ele o havia visto, na Inglaterra, pelo menos 40 vezes. È por isso que conhece o filme de cor, memorizando todo o dialogo e nos narrou com um entusiasmo incontido todas as suas piadas. Imagino que esse incansavel entusiamo tenhasido uma das coisas que fizeram dos Beatles os Beatles – todo um espetáculo cheio de brincadeiras e graça e a habilidade de mergulhar totalmente nele. Para encurtar a história: Tratava-se do primeiro filme de Mel Brooks, com quase 30 anos, chamado The Producers. Se por acaso você encontrá-lo em uma loja de vídeos, não deixe de compra-lo, pois é sensacional. Assim, há uma parte: “Eu mereço um briquedinho”, e foi assim que George
foi levado a comprar seu Mclaren F1 (Chassis nro 25), por pouco mais de um milhão de dolares, com a qualidade adicional de ter sido construído por um de seus amigos, Gordon Murray. Comentei: “ Você 99% do tempo nãofaz nada alémde evitar esbarrar em pessoas estranhas e, de repente, compra o carro mais potente echamativo do mundo, com 330Km/h de velocidade máxima, ainda mais na Inglaterra, que não passa de um grande engarrafamento, Como você explica isso? Tudo o que ele respondeu foi: “É que eu gosto de brincar”
Ele é uma criança grande, um sonhador em um momento de sorte, há uns 35 anos aconteceu de o grupo certo de crianças grandes se encontrar. Esta é a minha contribuição definitiva a história dos Beatles.

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